VISITE TAMBÉM

Rua Pedro Vicente, 625

Canindé - São Paulo SP

CEP 01109-010

(11) 3228-7208 / (11) 3315-9018

SINASEFE-SEÇÃO SÃO PAULO

NOTA PÚBLICA SOBRE ATIVIDADE OCORRIDA NO CÂMPUS CARAGUATATUBA DO IFSP ENALTECENDO A DITADURA MILITAR

28.05.2019

 

Apologia, relativização e negacionismo de ações criminosas não podem ser confundidas com liberdade de expressão!

 

 

No dia 23 de maio de 2019, foi exibido nas dependências do Instituto Federal de São Paulo – Câmpus Caraguatatuba, como evento aberto à comunidade, o filme “1964: O Brasil Entre Armas e Livros”. No pequeno resumo da atividade consta que se trata de uma “visão imparcial com base em fatos, de um dos acontecimentos históricos brasileiros que mais marcaram o século XX”. 

 

É sabido que tal filme é duramente criticado pela comunidade científica por seu atentado revisionista à produção historiográfica sobre o período. Tal produção, que se intitula  por seus produtores – Brasil paralelo, imparcial e apartidária, traz distorções seu enredo como: suposta ameaça comunista e relativização da censura, da repressão e da tortura na época. 

 

No dia 31 de março de 1964, foi perpetrado um golpe empresarial-militar que mergulhou o Brasil em 21 anos de uma ditadura que, utilizando do aparato militar do estado brasileiro – e de milícias paramilitares – produziu fatos historicamente incontestáveis como repressões, censura, desaparecimentos, torturas e mortes de milhares de brasileiros, sem sequer poupar crianças e mulheres grávidas. 

 

Todas as análises historiográficas produzidas neste período macabro da história brasileira (não mais cruel apenas que o período de escravidão), comprovam o autoritarismo, a truculência e o rompimento com os preceitos democráticos. Comprovadamente houve censura, principalmente na produção de comunicação (imprensa), cultural (música, teatro e demais expressões) e intelectual (universidades, livros).

 

Fatos resgatados e revelados pela maioria dos historiadores e pesquisas historiográficas, divulgados pela Comissão da Verdade - que teve seus trabalhos instituídos em 2011 e concluídos no ano de 2014 - apontam sobre a prática de detenções ilegais e arbitrárias, tortura, violência sexual, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres resultantes de uma política estatal, de alcance generalizado contra a população civil, caracterizando-se como crimes contra a humanidade. Foram identificados 434 casos de mortes e desaparecimentos de pessoas sob a responsabilidade do Estado brasileiro durante o período de 1946-1988. Enumerando 377 agentes públicos envolvidos em distintos planos de participação: responsabilidade político-institucional, responsabilidade pelo controle e gestão de estrutura e procedimentos e responsabilidade pela autoria direta de condutas que materializaram as violações.

 

Nossas feridas históricas permanecem abertas e só serão cicatrizadas quando tivermos condições político-institucionais de fazermos verdadeiramente justiça quanto aos crimes cometidos pelo estado brasileiro neste período. Neste sentido, a exibição do filme contraria os valores estabelecidos nos documentos do IFSP, bem como a preceitos fundamentais da constituição brasileira e também as lei que regem as práticas educacionais no Brasil.

 

Diante dos argumentos expostos, o Sinasefe-SP repudia a exibição de tal filme no IFSP – Câmpus Caraguatatuba, pela notável violação de preceitos pedagógicos institucionais. Também manifestamos repúdio em relação a postura da Direção Geral do Câmpus Caraguatatuba que, ao ser provocada pela comunidade acadêmica, produziu uma carta-resposta com conteúdo desconexo, contendo um emaranhado de palavras e citações aleatórias de lei, muitas dessas reafirmando a defesa da democracia, dos direitos humanos e da ciência, justamente preceitos totalmente desconsiderados no conteúdo do filme exibido. 

 

A resposta da Direção Geral do Câmpus Caraguatatuba à exibição do evento, demonstra preocupante descompromisso com os preceitos norteadores institucionais e não deve ser confundido com o posicionamento dos demais servidores do Câmpus e do IFSP.

 

Por fim, reafirmamos o nosso compromisso com a educação, com a democracia, com a defesa dos direitos humanos e com a liberdade de expressão. Colocaremos-nos sempre relutantes a qualquer tentativa de apologia, defesa ou relativização de práticas que atentem contra esses valores que norteiam nossas atividades.

 

É necessário que tenhamos sempre a lembrança do que significou para o Brasil e para o seu povo trabalhador o golpe empresarial-militar de 31 de março de 1964, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tags:

Please reload

Notícias em Destaque

EM CLIMA DE CARNAVAL: Informamos que a sede administrativa do Sinasefe-SP estará em recesso entre os dias 24 e 26 de fevereiro

21.02.2020

É GREVE!

21.02.2020

NOTA PÚBLICA DA COORDENAÇÃO FUNCIONAL DO SINASEFE-SP

18.02.2020

Primeiro Encontro de Mulheres do Sinasefe-SP: Inscrições Abertas

18.02.2020

20 DE FEVEREIRO: ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SINASEFE-SP

18.02.2020

Confira nota do ANDES-SN, FASUBRA e SINASEFE contra os ataques aos direitos dos trabalhadores/as da UTFPR e do IFSP

17.02.2020

1/1
Please reload

VOLTAR AO TOPO